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Agora vai…

Nesta semana em Brasília, um grupo de especialistas em políticas culturais convocados pelo Ministério da Cultura vai avaliar o resultado da Câmara Setorial de Música. Será a última reunião da Câmara, que em seguida vai ser substituída pelo Colegiado Setorial de Música, instância de proposição do CNPC – Conselho Nacional de Políticas Culturais. Nas Câmaras foram realizadas as analises feitas pelos Fóruns Estaduais de Música ao Governo Federal. Também na Câmara Setorial de Música foi fundado em 2005 o Fórum Nacional de Música. É um momento histórico para a música brasileira. No passado áreas como a saúde, a educação e o trabalho tiveram a unificação de suas legislações, agora será a vez da cultura. Desde a implantação do Plano Nacional de Cultura e do Sistema Nacional de Cultura foram realizadas analises e diagnósticos que hoje estão no CNPC e em breve estarão no Congresso Nacional deflagrando um processo continuo de renegociação. As analises das políticas públicas de cultura estavam paradas desde 2006 e agora tem forte retomada. Considerado pelo meio musical como uma grande conquista, o processo que se formou é inédito e segundo as classes brasileiras da música, estas nunca haviam sido ouvidas desde a base em suas regiões através de uma ação técnica e sistematizada.

A retomada da Câmara Setorial de Música, agora como Colegiado Setorial de Música se dá em um momento muito importante. Com a queda da industria fonográfica internacional, foram retirados da pauta os interesses do poder econômico, dando vez aos interesses da população brasileira, dos artistas e dos micro empresários. A reunião promovida pelo Ministério da Cultura nesta quarta, dia 15 no hotel Carlton em Brasília, terá como prioridade a avaliação dos resultados práticos alcançados, tratando também do funcionamento do novo Colegiado que se forma.

Os debates devem esquentar em torno de alguns assuntos polêmicos defendidos pela classe musical como a criminalização do jabá, a reserva de mercado artístico regional na mídia (principio constitucional 221), a regionalização das verbas da lei Rouanet, retorno da educação musical obrigatória no ensino fundamental, mudança da legislação de direito autoral, revisão da lei da OMB (Ordem dos Músicos do Brasil) e início dos estudos de um possível processo do governo brasileiro contra os paises hegemônicos na produção de conteúdos de entretenimento de massas na OMC (Organização Mundial do Comércio).

Estarei lá como representante da música contra-industrial produzida em Minas atualmente (seja lá o que isso signifique!). Se isso te diz respeito de alguma forma, é hora de se manifestar. A propósito, nesse blogue não há moderação de comentários!

Postado em 14/10/2008 Blog!

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Sobre o autor

Makely Ka (Valença do Piauí, 1975) é um poeta cantor, instrumentista, produtor cultural e compositor brasileiro. Makely é poeta, compositor e agitador cultural. Atuando em diversas áreas como a música, a poesia e o vídeo. Incorpora à sua produção artística um componente crítico e reflexivo. Autodidata, desenvolveu uma poética musical própria, amalgamando elementos da trova e do aboio de herança ibérica às novas linguagens sonoras urbanas como o rap, do despojamento da poesia marginal ao rigor formal da poesia concreta.

(3) respostas

  1. Renato Villaça
    20/10/2008 de 09:35 · Responder

    Olá.

    Estou aqui me manifestando.
    Ótima notícia.
    Quanto ao “contra-industrial”, sem saber o que significa…
    rarara!!! acho que sabe sim.
    Legal o blog não ter moderação. Mas já teve.
    Também pretendo algum dia abdicar da minha.

    Um abraço.

  2. Renato Villaça
    20/10/2008 de 12:15 · Responder

    só uma curiosidade.

    você não postou nenhum texto aqui sobre a atual eleição para prefeito e o que acha dela. acho que sua opinião é importante para os músicos da cidade decidirem seu voto.

    o que acha da situação? vai votar em quem?

    abraço.

  3. makely
    20/10/2008 de 16:18 · Responder

    Renato, sua manifestação é sempre bem-vinda por aqui, seja com ou sem moderação! Sim, estou tentando terminar desde a semana passada um texto sobre as eleições, mas a correria não deixa e a cada dia surge um fato novo. Não é interessante essa discussão ético-moral que vem se desenrolando nas três principais capitais do país em torno da polarização liberais/conservadores com papéis invertidos e sinais trocados? E como não linkar isso com a possível/provável eleição de um negro com ascendência árabe para a presidência dos EUA! Mas a coisa aqui está toda atrasada. Prometo alguma coisa até o final desta semana…

    Abraços

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