Rio Aberto

Produzido por Makely Ka Coproduzido por André Cabelo
Gravado, mixado e masterizado no Estúdio Engenho por André Cabelo entre a primavera de 2020 e o inverno de 2021.
Fotos e Projeto Gráfico: Gisele Moura
Arte Final: Paulo Fatal
Makely toca violas de 10 cordas construídas por Lúcio Jacob e Wagner França, viola dinâmica Del Vecchio e craviola Giannini
Agradecimentos: Tavinho Moura, Ivan Vilela, Geraldo Vianna, Letícia Leal, Fernando Sodré, André Siqueira, Maísa Moura, Marcela Bertelli, Magno Córdova, Alcides Ferreira, Paulo Novaes e Chico Teixeira

Ouça o Disco

Batistério
Viola de 10: Makely Ka / Violoncelos: Felipe José / Arranjo de cordas: Avelar Jr.
Paracatu
Viola de 10: Makely Ka
Urucuia
Viola de 10: Makely Ka / Contrabaixo acústico: Rodrigo Quintela
Jequitaí
Viola de 10: Makely Ka
Paraopeba
Viola de 10: Makely Ka / Violão nylon: Gustavo Souza
Carinhanha
Viola de 10: Makely Ka / Violoncelos: Felipe José / Arranjo de cordas: Avelar Jr.
Rio do Sono
Viola de 10: Makely Ka
Das Velhas
Viola de 10: Makely Ka / Contrabaixo acústico: Paulim Sartori
Verde Grande
Viola de 10: Makely Ka
Pardo
Viola dinâmica e viola slide: Makely Ka
Doce
Craviola de 12: Makely Ka / Violoncelos: Felipe José / Arranjo de cordas: Avelar Jr.
Vaza Barris
Viola de 10: Makely Ka / Violão nylon: Gustavo Souza
Encontro das Águas
Viola de 10: Makely Ka / Violoncelos: Felipe José / Arranjo de cordas: Avelar Jr.

Todas as músicas são de Makely Ka, exceto“Encontro das Águas”, de Tavinho Moura

Sons que escorrem pelos dedos

O disco que você tem em mãos é, na realidade, um mapa sonoro-afetivo onde Makely verte impressões obtidas em viagens que empreendeu pelo Sertão mineiro e baiano. Ele próprio nos diz: “As músicas levam nomes de rios que eu passei, cursos d’água que costuram elementos da geografia, da história e da literatura brasileira ligando, por exemplo, o sertão de Guimarães Rosa aos sertões de Euclides da Cunha (Vaza-Barris) e também pela tragédia dos rios devastados pela mineração (Doce e Paraopeba).” Makely é mais um grande músico brasileiro que se encantou com a sonoridade da viola e viu nela um canal para exprimir a maneira como vê e sente o mundo. Seu toque é vigoroso e denso. As filigranas que afloram de seus dedos impõem às suas composições – todas vertidas em águas nos nomes dos rios – paisagens que nos fazem conhecer de perto cada um desses locais, mesmo sem lá termos ido. Makely compõe com a propriedade de quem já andou muito no caminho da música. A viola de Makely sugere caminhos que nos trazem a ideia de loopings dada a reafirmação das ideias musicais que, diga-se de passagem, nada têm de repetitivas. Evocam mais a ideia do espelho d’água do rio que na sua serenidade guarda um sem fim de movimentos dentro de seu leito. Qual fazemos com a visão quando queremos ver mais de perto, o ouvinte desavisado precisará focar sua audição para perceber que por detrás de uma prosódia quase constante descortina-se um universo de toques, ideias rítmico-melódicas amparadas por caminhos harmônicos novos. Estes diluídos no fraseado das melodias que evocam as sonoridades das violas do Norte mineiro já desfiadas por Zé Coco do Riachão, Minervino da viola, Manelim, Renato Andrade e Tavinho Moura. Nesse disco líquido, um Rio Aberto, Makely nos deixa claro que o músico criador, adiante de qualquer juízo que se possa ser feito sobre ele, está além como um observador do mundo que o cerca, da natureza da Terra e de todas as contradições que possam aflorar na relação do homem com o espaço que o circunda. Mais uma grande aula sobre Cultura Brasileira em seus vários aspectos vertida em sons que além de nos embalarem, nos trazem a consciência de que nada conseguiremos ser sem a estrutura do mundo que nos ampara e envolve. Por Ivan Vilela