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Dínamo em parceria com Lô Borges

Nos últimos meses eu fiz algumas canções em parceria com Lô Borges. Foi um desafio, um processo intenso e frenético, mas sobretudo prazeroso. Às vezes eu enviava a letra de madrugada, ele visualizava de manhã e algumas horas depois me mandava a primeira versão. A única recomendação que ele fez durante todo o processo é que queria colocar melodias em letras curtas e diretas.

Eu tentei entrar no universo dele, sem deixar de lado as minhas referências. As músicas foram saindo uma a uma. Em aproximadamente três meses tínhamos uma coleção formidável, um disco completo com dez canções. Primeiro elas foram gravadas num formato acústico, com violões de nylon e aço. Depois Telo Borges colocou seus pianos e ainda teve guitarras do Henrique Matheus, baixo do Thiago Corrêa, bateria do Fernando Monteiro e percussão da Nara Torres. Eu acho que o álbum estabelece um diálogo espontâneo com o Disco do Tênis, com Nuvem Cigana e com Via Láctea, mas acredito que também aponta para outros caminhos inusitados que ainda não tinham sido percorridos.

Para mim foi uma experiência incrível, uma honra me tornar parceiro do enfant terrible, o garoto prodígio do Clube da Esquina. Sobretudo sou grato pela generosidade desse compositor que me inspira desde a adolescência e, sobretudo, nunca arrefeceu e continua compondo e tocando como fazia a mais de quarenta anos, quando surgiu ao lado de Bituca e toda a trupe de barões que frequentavam o Alto dos Piolhos.

Lô, entre outros méritos, é o único compositor que dividiu seu disco de estreia, aos 17 anos, com ninguém menos que Milton Nascimento e dos poucos brasileiros que pode se gabar de ter sido gravado e admirado, entre outros, por Tom Jobim e por Elis Regina. Além de ser referência para todas as gerações que viriam depois dele, do Ira! ao Skank, do Artic Monkeys aos Racionais MC.

A primeira música lançada dezembro de 2019 se chama Dínamo, ela dá nome ao disco e nela Lô canta acompanhado de outro grande parceiro e amigo, o Samuel Rosa. A canção fala de mochileiros viajando pela América do Sul e de um amor, uma amizade, um vínculo forte que surge entre eles durante a caminhada.

Em março de 2020 o disco completo foi lançado e está disponível em todas as plataformas musicais.

 

Postado em 10/04/2020 Blog!

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Sobre o autor

Makely Ka (Valença do Piauí, 1975) é um poeta cantor, instrumentista, produtor cultural e compositor brasileiro. Makely é poeta, compositor e agitador cultural. Atuando em diversas áreas como a música, a poesia e o vídeo. Incorpora à sua produção artística um componente crítico e reflexivo. Autodidata, desenvolveu uma poética musical própria, amalgamando elementos da trova e do aboio de herança ibérica às novas linguagens sonoras urbanas como o rap, do despojamento da poesia marginal ao rigor formal da poesia concreta.

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