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Imersão Grande Sertão

Não deixa de ser uma ironia que uma das regiões mais conhecidas de Minas através da literatura seja praticamente desconhecida dos próprios mineiros.

Por isso é necessário promover a conscientização das pessoas, para que elas se deem conta da importância real e simbólica do sertão de Minas Gerais para formação da identidade mineira e brasileira.

Das tradições orais às manifestações simbólicas da cultura popular, das festas e grupos culturais chegando à culinária, ao artesanato, ao modo de falar; dos parques e unidades de conservação, incluindo a fauna e flora do cerrado às bacias hidrográficas, precisamos entender a dimensão disso tudo, sob risco de não haver perspectivas de futuro.

Pretendemos com essa imersão chamar atenção para estes aspectos, num apelo à preservação da paisagem geográfica e do modo de vida de uma determinada região que inspirou o livro mais importante da literatura escrito em língua portuguesa no século 20, além de uma reflexão sobre as diversas formas de lidar com nossas diferenças, com nossas contradições, com essas distâncias que nos afastam e nos fascinam. Esperamos que inspire outras pessoas a ler o “Grande Sertão: Veredas” e a conhecer o nosso sertão-cerrado. Garanto que alguma coisa ainda encontra!

* Esta imersão integra o eixo curatorial dedicado à Língua Portuguesa, em programação promovida pelo Sesc Palladium.

Programação:

Terça – dia 19/06
18h – Abertura
Café do sertão
Degustação de produtos produzidos por cooperativas sertanejas do Mosaico Sertão Veredas – Peruaçu

Local: foyer Augusto de Lima
Entrada: livre, até a capacidade do local

Terça – dia 19/06
19h30 – Mesa 1
Mosaico de Povos – o Sertão de Guimarães Rosa hoje
Damiana Campos. Líder comunitária na cidade de Chapada Gaúcha, coordenadora do Instituto Rosa e Sertão, que desenvolve vários projetos importantes na região como o Encontro dos Povos do Grande Sertão, a revista Manzuá e o Mosaico Sertão Veredas – Peruaçu. Formada em pedagogia, é mestre em Ciências Sociais pela Universidade Rural do Rio de Janeiro.

Mediação: Marcela Bertelli. Antropóloga, produtora cultural, editora da revista Manzuá, do Mosaico Sertão Veredas – Peruaçu, membro do grupo Ilumiara, que alia pesquisa e interpretação musical.

Local: foyer Augusto de Lima
Entrada: livre, até a capacidade do local

20/06 a 24/06
Video-instalação
“Sertão: alguma coisa ainda se vê”.
com imagens capturadas no sertão de Minas, Bahia e Goiás com depoimentos de moradores da região, com cenas das cidades e do cerrado, com detalhes da flora e da fauna, curadoria e edição de Leandro Lopes.
Leandro Lopes. Jornalista, mestre em Estudos Literários pela UFMG e documentarista. Diretor dos filmes: “eu não vou ao enterro de painho” (2017), vencedor do Festival Piriápolis de Película, no Uruguai. “Sertão como se fala”, que trata do ABC do sertão (2016), “pertensença ou o encharcar-se de sertão”, documentário que refaz a caminhada do Riobaldo, do Grande Sertão: Veredas (2016) e – um humanista por acaso escritor -, sobre José Saramago (2015). Atuou durante dez anos na televisão, sendo Gerente de Programação e Produção e Coordenador de Núcleo de Conteúdos Especiais (Rede Minas de Televisão), diretor do programa Diverso (TV Brasil), e do Fiz + Sotaques (Grupo Abril).

Local: Mezanino
Entrada: livre, até a capacidade do local

Quarta dia 20/06
19h30 – Mesa 2
Benzer, ofício de cuidar
Lindaura Gonçalves Rocha, Dona Lili. Benzedeira nascida e criada da comunidade de Ribeirão de Areia, na região do Grande Sertão. Mora em Chapada Gaúcha. Mãe de 21 filhos, benzedeira, raizeira, contadora de histórias, rezadeira de benditos junto com sua irmã.

Mediação: Mônica Meyer. Bióloga, publicou o livro “Ser-tão natureza, a natureza em Guimarães Rosa”, resultado de sua tese de doutorado pela UFMG.

Local: foyer Augusto de Lima
Entrada: livre, até a capacidade do local

Quinta 21/06
19h30 – Mesa 3
Rompendo imaginários: O Grande Sertão hoje: políticas de resistência, produção e circulação artística, desenvolvimento e proteção ambiental no norte de Minas, pela voz de seus agentes e mobilizadores culturais.
Almir Paraka. Atualmente trabalha como assessor parlamentar na ALMG, foi vereador e prefeito da cidade de Paracatu e também deputado estadual por três mandatos. Organiza a caminhada ecológica “Os Caminhos do Sertão” realizada anualmente entre Sagarana e Arinos.
Amanda Geraldes. Historiadora, andarina e integrante do coletivo Ecos do Caminho. Desenvolve projetos e pesquisas em História e na área de Gestão Cultural. Participou como pesquisadora no projeto “Cinema no Rio São Francisco” (2015/2017), na articulação do projeto O Caminho do Sertão – De Sagarana ao Grande Sertão: Veredas (2016) e na idealização e produção do CineBaru – Mostra Sagarana de Cinema (2017/2018) junto ao coletivo Ecos do Caminho.
Damiana Campos. Líder comunitária na cidade de Chapada Gaúcha, coordenadora do Instituto Rosa e Sertão, que desenvolve vários projetos importantes na região como o Encontro dos Povos do Grande Sertão, a revista Manzuá e o Mosaico Sertão Veredas – Peruaçu. Formada em pedagogia, é mestre em Ciências Sociais pela Universidade Rural do Rio de Janeiro.

Mediação: João Paulo Cunha. Jornalista, formado em Psicologia, Filosofia e Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Autor do livro Elomar – O Cantador do Rio Gavião”, que acompanha a publicação de partituras do cancioneiro do compositor (DUO Editorial, 2009).

Local: foyer Augusto de Lima
Entrada: livre, até a capacidade do local

Sexta dia 22/06
20h – Aula-espetáculo.
O aprendizado de viola no convívio com os mestres, a natureza e a comunidade.
Paulo Freire. Músico, compositor, escritor e contador de casos. Tem vários discos e livros lançados, entre eles “Rio Abaixo”, “Lambe-Lambe”, “São Gonçalo” e “Eu Nasci Naquela Serra”. Tocou as violas e compôs músicas para o seriado “Grande Sertão: Veredas”, da TV Globo. Em 1977, apaixonado pelo romance de João Guimarães Rosa foi morar no Norte de Minas Gerais, região do rio Urucuia, onde aprendeu a tocar viola com Manoel de Oliveira e outros mestres da região e aprofundou-se nos costumes e lendas do sertão.

Local: Teatro de Bolso
Entrada: Ingressos a R$20,00 inteira e R$10,00 meia.

Sábado 23/06
17h – Projeção de fotos comentadas.
“O senhor mire e veja”
Projeção comentada de fotos pelo músico e compositor Makely Ka seguindo os caminhos percorridos pelo personagem Riobaldo Tatarana por alguns dos principais pontos do romance “Grande Sertão: Veredas” identificados no mapa geográfico de Minas.

Cavalo Motor, por Makely Ka
Compositor e escritor, lançou quatro discos e dois livros. Já tocou em alguns dos principais palcos do Brasil e excursionou por Portugal, Espanha, Dinamarca, Lituânia, Turquia, Grécia e México. Grande interlocutor da cena musical em Minas, organizou mostras e festivais, participou de curadorias, produziu discos de outros artistas, fez direção artística de shows, criou trilhas para cinema, dança e teatro. Em 2012 realizou a expedição “Cavalo Motor pelo Grande Sertão”, quando percorreu de bicicleta os caminhos do personagem Riobaldo Tatarana no romance “Grande Sertão: Veredas”, do escritor João Guimarães Rosa, para registrar em gravações de áudio, vídeo e fotos as paisagens sonoras e visuais que integram o disco e o show Cavalo Motor.

Local: Mezanino
Entrada: livre, até a capacidade do local

Sábado 23/06
20h – Palestra.
“O Recado do Morro”. Aspectos da obra roseana e sua relação com o território.
José Miguel Wisnik. Músico, compositor, escritor e ensaísta. Doutor em teoria literária e literatura comparada, também professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo. Possui vários discos e livros lançados, entre eles “Veneno Remédio”, “O Som e o Sentido”, “Pérolas aos Poucos”, “São Paulo Rio”, “Ná e Zé”, entre outros. Assinou trilhas para cinema, dança e peças teatrais, entre elas para o Grupo Corpo e Teatro Oficina. Suas canções podem ser ouvidas na voz de grandes intérpretes como Caetano Veloso, Elza Soares, Djavan, Ná Ozzetti e Mônica Salmaso, entre outros.

Local: Grande Teatro
Entrada: livre, até a capacidade do local

Domingo 24/06
20h – Show de encerramento
Makely Ka – Cavalo Motor
Cavalo Motor. Idealizado a partir de uma viagem realizada em 2012, quando o artista percorreu de bicicleta as trilhas e paisagens descritas no romance “Grande Sertão: Veredas” de João Guimarães Rosa. Mergulho profundo nas raízes da cultura popular brasileira, traz nas canções autorais elementos da tradição popular e oral da região como cocos, cirandas, trava-línguas e emboladas. No palco o artista é acompanhado pelos músicos Gustavo Souza (violão), Rafael Azevedo (guitarra), Paulim Sartori (contrabaixo), Daniel Magalhães (pífanos), Alcione Oliveira (percussão) e Mateus Oliveira (bateria).

Local: Teatro de Bolso
Entrada: Ingressos a R$20,00 inteira e R$10,00 meia.

 

Postado em 18/06/2018 Blog!

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Sobre o autor

Makely Ka (Valença do Piauí, 1975) é um poeta cantor, instrumentista, produtor cultural e compositor brasileiro. Makely é poeta, compositor e agitador cultural. Atuando em diversas áreas como a música, a poesia e o vídeo. Incorpora à sua produção artística um componente crítico e reflexivo. Autodidata, desenvolveu uma poética musical própria, amalgamando elementos da trova e do aboio de herança ibérica às novas linguagens sonoras urbanas como o rap, do despojamento da poesia marginal ao rigor formal da poesia concreta.

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