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A parada agora é na Galícia!

Daqui a pouco embarco num vôo que vai cruzar o Atlântico e pousar no aeroporto de Barajas, em Madrid. Se a imigração não me barrar, de lá eu sigo até A Coruña, no norte da Espanha. Fui convidado pela Xunta da Galícia Consellería de Cultura e Deporte para participar de um festival chamado Cultur.gal. Vou falar sobre a cena musical em Minas e no Brasil e apresentar a Coopeativa de Música e as possibilidades de intercâmbio cultural. De lá sigo para Pontevedra, onde acontecerá o Festival Cantos na Maré. É um festival com participação de países da comunidade lusófona organizado pela cantora-militante Uxia Senle.
Esses contatos rolaram na WOMEX, que aconteceu em Sevilha entre o final de outubro e o início de novembro passados. Lá eu me encontrei com o Xabier Alonso, que havia conhecido no ano anterior. O Xabier é um dos nossos, uma espécie de operário da contra-industria musical galega.

A espectativa é firmar um convênio de intercâmbio cultural, com idas e vindas de artistas, produtores, técnicos e afins. Troca de informação, tecnologia e conhecimento. A primeira ação proposta é fazermos aqui em Minas uma Semana da Galícia e eles fazerem algo semelhante por lá. Isso tudo ainda no primeiro semestre do ano que vendrá!

O curioso é que a língua oficial deles, o galego, é a língua-tronco que deu origem ao nosso português. As relações com o Brasil não param por aí: desde o período colonial milhares de galegos aportaram no país, a ponto de se confundirem com os brasileiros. A imigração se intensificou durante o franquismo, período em que as culturas locais – assim como a catalã e a basca – sofreram uma grande repressão em nome da unificação da Espanha. Durante algumas décadas o galego ficou recluso aos interiores, escondido, clandestino em sua própria terra. A valorização da cultura galega passa portanto por um esforço em reestabelecer os vínculos afetivos com os países lusófonos, entre os quais o Brasil se destaca pela sua grande capacidade de acolhimento.

A maioria conhece a Galícia porque a região, além da gastronomia e da história secular, tornou-se um roteiro turístico que atrai todos os anos milhões de viajantes do mundo todo devido ao Caminho de Santiago de Compostela. Curiosamente, o roteiro turístico-religioso tornou-se mundialmente conhecido também em função do livro de um brasileiro, o “mago” Paulo Coelho. Não é segredo pra ninguém que a nossa Estrada Real foi inspirada no Caminho de Santiago. O que não aconteceu ainda é um mago para realizar o milagre da multiplicação dos turistas que pagam em Euro. Não prometemos nenhum milagre, mas, se o pessoal do turismo se ligar, pode rolar uma parceria estratégica aí. Isso dá pra fazer! Será?

Mas a música – que afinal é o que nos interessa aqui agora – é um dos elementos mais importante na identificação e valorização da identidade galega. Com influências da música celta e traços ibéricos, há vários pontos em comum com a música mineira, como certo caráter contemplativo, introspectivo, e a capacidade de comunicação universal. Além disso o galego é considerado um povo festeiro, e a prova disso são as centenas de festivais de arte e cultura que se espalham pelo território galego durante todo o ano.

Bora lá?

Postado em 03/12/2008 Blog!

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Sobre o autor

Makely Ka (Valença do Piauí, 1975) é um poeta cantor, instrumentista, produtor cultural e compositor brasileiro. Makely é poeta, compositor e agitador cultural. Atuando em diversas áreas como a música, a poesia e o vídeo. Incorpora à sua produção artística um componente crítico e reflexivo. Autodidata, desenvolveu uma poética musical própria, amalgamando elementos da trova e do aboio de herança ibérica às novas linguagens sonoras urbanas como o rap, do despojamento da poesia marginal ao rigor formal da poesia concreta.

(2) respostas

  1. Ricardo Silveira
    03/12/2008 de 08:59 · Responder

    Genial!
    Boa sorte lá.
    E, se vir por lá um grupo chamado Luar na Lumbre, ouça com carinho. É um dos grupos de música étnica (que droga de termo) de que mais gosto.
    Abraço.

  2. Johnny
    15/12/2008 de 17:33 · Responder

    Não resisto à rima, ainda que pobre: que delícia! Aproveite bastante! Abraço!

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