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Moçambicano

Chico Saraiva é um dos meus parceiros mais recentes, mas já é dos mais prolíficos. Tenho com ele várias canções e uma delas foi registrada no seu trabalho mais recente, sugestivamente chamado Saraivada e lançado pela Biscoito Fino em outubro do ano passado.

Ontem ele me enviou uma crítica do disco publicada num jornal de João Pessoa, onde descobri que sou africano. Claro que fiquei feliz da vida com a dupla nacionalidade, já que não abro mão de continuar sendo brasileiro.

Quem quiser encomendar o disco – e não preciso nem dizer que concordo totalmente com a crítica – é só clicar aqui: Saraivada

Segue a matéria:

Jornal O Norte

João Pessoa, Sexta-Feira, 04 de Janeiro de 2008

Vencendo falsas profecias

CDs de Mário Gil e Chico Saraiva confirmam o grande talento de uma geração que mantém viva a canção brasileira

Ricardo Anísio

ricardoanisio@jornalonorte.com.br

Que bom que mais uma vez o candidato a filósofo Caetano Veloso errou ao profetizar “a morte da canção brasileira”. A cada dia que passa ouço vários discos maravilhosos, repletos de canções inspiradas, em letra e música. Recebi por estes dias dois CDs indispensáveis, um do amigo Chico Saraiva (“Saraivada”, Biscoito Fino), outro do Mário Gil (“Comunhão”, Tratore), ambos violonistas e melodistas de enorme talento e sensibilidade.

“Saraivada” traz um Chico Saraiva cercado de parceiros fantásticos, entre os quais destaco Paulo César Pinheiro (na minha opinião um dos melhores do Brasil ao lado de Aldir Blanc) que assina os versos de “Na Virada da Costeira”, uma canção (viu, Caetano?) daquelas de emocionar, com harmonias ricas e delicadas e linha melódica trovadoresca.

Devo situar o leitor dizendo que Chico Saraiva é violonista de ofício, premiado e tudo mais, e chegou a gravar um disco todo instrumental. Mas, como todo amante de MPB que se preza, já havia flertado com parcerias de letristas importantes da nossa música. O paraibano Chico César, por exemplo, comparece neste novo disco de Saraiva assinando os versos de “Pássaro-Flor”, aliás, de rara beleza. “Vida, ai quem me dera ter/ asas e voar/ tiê, anum ou bem-te-vi/ quiçá sabiá”.

Mas, Chico Saraiva não abandona o violão-solo e mostra seu virtuosismo em faixas instrumentais como “Coco”, “Ponto” a “Saraivada”, que batiza o disco. Contudo um dos momentos mais emocionantes do CD de CS é a canção “Moçambique”, parceria com o moçambicano Makely Ka em que o coral Vozes da Irmandade do Rosário de Justinópolis tece um bordado vocal de fazer chorar. “Saraivada” é um disco-prova de que a canção brasileira é imorredoura, é um rio que brota, mesmo se os descrentes cobrirem-no com profecias baratas. Amém!

Postado em 05/04/2008 Blog!

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Sobre o autor

Makely Ka (Valença do Piauí, 1975) é um poeta cantor, instrumentista, produtor cultural e compositor brasileiro. Makely é poeta, compositor e agitador cultural. Atuando em diversas áreas como a música, a poesia e o vídeo. Incorpora à sua produção artística um componente crítico e reflexivo. Autodidata, desenvolveu uma poética musical própria, amalgamando elementos da trova e do aboio de herança ibérica às novas linguagens sonoras urbanas como o rap, do despojamento da poesia marginal ao rigor formal da poesia concreta.

(5) respostas

  1. Jake Mello
    08/04/2008 de 01:31 · Responder

    Profecia medida somente em si próprio , sem outro canal e alguns crivos, não deve ser levada em conta.
    Caetano é míope?
    Enfim, não conheço esses dois ainda, mas conheço alguns outros que devem estar muito longe dos ouvidos míopes dele.

    Beijo!

  2. .ludmila ribeiro.
    09/04/2008 de 15:30 · Responder

    hahaha! olha lá, além de mineiro do piauí é brasileiro de moçambique! makely multi!

  3. Guilherme Castro
    09/04/2008 de 21:16 · Responder

    hehehehe… de Moçambique!!! hihihi

  4. makely
    10/04/2008 de 05:14 · Responder

    Jake, acho que não devemos levar Caetano tão a sério. Ou então pensar na idéia do fim da canção como um desafio. Na verdade até Chico Buarque vem falando sobre o fim da canção em suas entrevistas mais recentes. Mas todos eles estão com mais de sessenta, talvez esteja rolando uma miopia coletiva mesmo!

    Pois é Lud, são minhas idiossincrasias ontológicas…

    Guilherme, vamos tocar lá?

  5. renato villaça
    11/04/2008 de 14:35 · Responder

    falô negão.

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