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Música para além das montanhas

Jornal O Tempo (06 de dezembro de 2009)
Por Daniel Barbosa

Política pública

Programa pioneiro para exportação de artistas mineiros completa primeiro ano de vigência coberto de êxito

A despeito de toda a sua diversidade, a música produzida em Minas Gerais está falando uma mesma língua – que, aliás, é perfeitamente entendida pelo poder público. Lançado no primeiro semestre deste ano, o programa Música Minas – fruto da parceria entre o governo do Estado e o Fórum da Música, que congrega cinco entidades representativas do setor – cumpriu seu primeiro ano de vigência com pleno êxito. A Secretaria de Estado da Cultura (SEC), as entidades que compõem o Fórum – a saber: Associação dos Músicos de Minas Gerais (Ammig), Sociedade Independente da Música (SIM), Associação Museu Clube da Esquina (Amuce), Cooperativa dos Músicos de Minas (Comum) e Circuito Fora do Eixo Minas (CFE) – e os artistas beneficiados nos dois editais lançados pelo programa concordam que a iniciativa, pioneira em todo o Brasil, é um sucesso.

No próximo dia 21 será realizada uma audiência pública, aberta a todos os interessados, para apresentar os números do programa, avaliar os resultados e projetar sua continuidade para 2010, o que, segundo Nestor Sant’Anna, representante da SEC para interlocução com o setor da música, já está acertado. Um primeiro levantamento evidencia que o programa cumpriu seu objetivo: exportar a música mineira para o resto do país e para o mundo. Com a dotação de R$ 1,55 milhão – dinheiro público repassado pela SEC para o Fórum da Música -, foram criados dois editais, um de circulação e um de passagens. Este último selecionou 37 propostas que geraram aproximadamente 170 passagens aéreas para apresentações de músicos mineiros no Brasil e no exterior.

Pelo de circulação, cada um dos 25 grupos e artistas – divididos nas categorias renome, destaque e revelação – que tiveram as propostas aprovadas pôde levar seu trabalho, com toda a estrutura necessária, para ser apresentado em três diferentes capitais do país. Dessa forma, eles foram alocados em grandes festivais, como o Calango (Cuiabá), o Mimo (Olinda) e o Varadouro (Rio Branco). Além disso, foram fechadas noites mineiras em locais como o Auditório Ibirapuera e o Sesc Pompeia, em São Paulo, o Santander Cultural, em Porto Alegre, e o Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza.

O programa ainda possibilitou que representantes do Fórum participassem de importantes feiras, como Porto Musical, em Recife, Feira da Música de Fortaleza, Mercado Cultural, em Bogotá, Womex, na Dinamarca, e Bafim, na Argentina. Para as ações de exportação, foram produzidos mil catálogos trilíngue contendo informações sobre 107 artistas e grupos e um documentário sobre a cena musical mineira.

“O programa foi um sucesso, Minas se tornou referência no Brasil inteiro com ele. Fomos convidados para apresentar um painel sobre essa ação pelo país afora”, diz Rose Pidner, representante da Ammig no Fórum e diretora da Veredas Produções. “Minas é o principal exemplo de unificação do setor da música no Brasil”, aponta o cantor e compositor Vitor Santana, da SIM, destacando o diálogo convergente como razão do êxito do programa.

Sucesso do programa se deve ao diálogo entre as entidades

A apresentação dos resultados e a avaliação do programa Música Minas em 2009 só vai acontecer oficialmente na audiência do próximo dia 21, mas, nas reuniões semanais que realizam, os integrantes do Fórum da Música já puderam levantar alguns pontos passíveis de ajustes para uma próxima edição. Mas, sobretudo, eles exaltam o sucesso da parceria com o poder público, viabilizado graças à sintonia sem precedentes que hoje há entre as entidades que representam os músicos do Estado. “Já brigamos muito no passado, agora é hora de afinar o diálogo para seguirmos em frente”, diz Rose Pidner, da Ammig.

Da parte da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), os motivos para comemoração também superam em muito eventuais arestas a serem aparadas. “A análise que faço é a seguinte: esse era para ser um programa episódico, para acontecer apenas uma vez, mas os resultados foram tão interessantes que o projeto vai ter continuidade”, diz Nestor Sant’Anna, da SEC, acrescentando que a projeção de dotação orçamentária para 2010 será, no mínimo, equivalente à deste ano. “O secretário (Paulo Brant) está fazendo um esforço enorme para somar ganhos a esse montante”, ressalta.

Convergência

Ele destaca que a convergência de interesses e a organização com vistas à sua consecução foram o grande trunfo do programa. “Na minha opinião, o mais importante é terem se sentado em torno da mesma mesa o poder público e as cinco entidades representativas da música em Minas mais destacadas. Esse diálogo, que sempre foi difícil, hoje é absolutamente harmonioso. Isso foi o que possibilitou que esse projeto fosse referência no Brasil inteiro. Esse modelo que construímos está sendo reivindicado por todos os Estados do país”, diz.

Makely Ka, da Comum, também destaca o papel pioneiro e a posição de protagonismo que Minas ocupa hoje no que diz respeito às ações de fomento à cena musical. “A mobilização acontece no país inteiro, temos uma rede de relacionamento nos 27 Estados da Federação e estamos muito avançados nos debates sobre esses mecanismos. O Fórum da Música tem uma presença de peso dentro da construção desse processo, ele é uma referência, pela nossa capacidade de organização”, aponta.

“O programa ampliou muito a possibilidade de atuação dos artistas mineiros fora de Minas e mesmo fora do Brasil. Com certeza cumpriu os objetivos, até mais do que nossa expectativa inicial”, diz Cláudia Brandão, diretora da Amuce.

Ela e outros integrantes do Fórum destacam o viés de estruturação do Música Minas, na medida em que os dois editais do programa estiveram focados nas possibilidades de intercâmbio e parcerias. Vitor Santana aponta as que foram firmadas com as unidades do Sesc em São Paulo, com a Cinematheque, no Rio de Janeiro, e com o Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza. Makely ressalta as parcerias internacionais, com o governo da região da Galícia, na Espanha, e com o teatro Portimão, em Portugal, para apresentações de artistas mineiros.

Resultados. “Na audiência do dia 21 vamos mostrar todas as conquistas, as feiras, o catálogo, o documentário, falar sobre as parcerias com outros países e outros Estados. Vamos fazer um balanço real, mas dá para adiantar que o programa foi muito acertado”, adianta Vitor, acrescentando que o encontro será, também, uma pré-conferência de Minas para a Conferência Nacional de Música, em abril de 2010.

Avaliação

Cada um dos integrantes do Fórum entrevistados, bem como Nestor Sant’Anna, tem sua percepção sobre o que pode ser melhorado. Cláudia Brandão, da Amuce, alude à possibilidade de o edital de passagens cobrir, também, hospedagem. Rose Pidner acha que é preciso desburocratizar os editais e melhorar a comunicação externa. Vitor Santana é da opinião que, no caso do edital de circulação, o Fórum tem que se desincumbir das funções de produção, sem, no entanto, deixar de ser uma chancela.

No que diz respeito ao edital de passagens, Makely Ka acha que ele deveria contemplar a possibilidade de turnês. “Como está, você tem passagens para ir e voltar de um mesmo ponto”, diz. Nestor Sant’Anna acha que o prazo para apresentar propostas pode ser encurtado em relação à data da apresentação para a qual o artista é convidado. “São percepções comuns, de coisas que podem e devem ser ajustadas numa próxima edição”, aponta. (DB)

Números
37 propostas
foram selecionadas pelo edital de passagens
170 passagens
foi o número aproximado que o edital destinou a grupos e artistas
25 grupos e artistas
foram selecionados pelo edital de circulação
75 shows
é o número total de apresentações previsto para os selecionados
49 shows
já foram realizados
107 grupos e artistas
estão no catálogo do programa

Contemplados também saúdam o programa

Se para os gestores do programa os resultados são dignos de comemoração, para os beneficiados não seria diferente. Aprovada no edital de passagens, a banda Eminence pôde fazer uma turnê com 26 shows pela Europa. “Somos uma banda de heavy metal e também representamos a música de Minas. O programa entendeu isso”, diz o guitarrista Alan Wallace.

O Porcas Borboletas, de Uberlândia, teve duas propostas aprovadas no edital de passagens, o que possibilitou sua participação na Feira da Música, em Fortaleza, e no festival Casarão, em Porto Velho. “É uma coisa que, sem dúvida, potencializa a música de Minas”, diz o vocalista Enzo Banzo.

Aprovado no edital de Circulação, o rapper Renegado já se apresentou no Rio de Janeiro e em Salvador e ainda tem outra capital – possivelmente Recife – programada no roteiro previsto. (DB)

Postado em 07/12/2009 Blog!

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Sobre o autor

Makely Ka (Valença do Piauí, 1975) é um poeta cantor, instrumentista, produtor cultural e compositor brasileiro. Makely é poeta, compositor e agitador cultural. Atuando em diversas áreas como a música, a poesia e o vídeo. Incorpora à sua produção artística um componente crítico e reflexivo. Autodidata, desenvolveu uma poética musical própria, amalgamando elementos da trova e do aboio de herança ibérica às novas linguagens sonoras urbanas como o rap, do despojamento da poesia marginal ao rigor formal da poesia concreta.

(4) respostas

  1. Guilherme Castro
    09/12/2009 de 18:40 · Responder

    Como diria Ana Carolina, "É isso aí…" hahahaha (nuh, essa foi podre, sei disso…)

  2. makely
    14/12/2009 de 03:09 · Responder

    Hahaha!

  3. Júlia Tavares
    15/12/2009 de 12:53 · Responder

    Parabéns pelos resultados do programa!! Mas confesso que me diverti com a linha fina da matéria, imaginando músicos de Minas embalados para exportação via mail… rs….. Beijos!!!

  4. Anonymous
    14/03/2010 de 09:36 · Responder

    parabens pelo blog…
    Na musica country VIRGINIA DE MAURO a LULLY de BETO CARRERO vem fazendo o maior sucesso com seu CD MUNDO ENCANTADO em homenagem ao Parque Temático em PENHA/SC. Asssistam no YOUTUBE sessão TRAPINHASTUBE, musicas como: CAVALEIRO DA VITÓRIA, MEU PADRINHO BETO CARRERO, ENTRE OUTRAS…
    é o sonho eterno de BETO CARRERO e a mão de DEUS.

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