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Técnica infalível a serviço do glorioso!

Desde pequeno torço pelo glorioso Metaluzina, de Barão de Cocais. Fui meia-esquerda e batia os pênaltis no dente-de-leite e depois nas categorias subsequentes. Tinha uma técnica infalível de concentração que desenvolvi lendo “O Kung Fu de Bruce Lee”. Naquela época me parecia uma associação natural.
Parei de jogar bola aos dezessete, dezoito anos e faz muitos anos que não bato um pênalti. Não me lembro mais da técnica marcial. De alguma forma perdi o interesse por futebol desde que parei de jogar.

Assisti a todos os jogos da seleção brasileira na copa de 82. Foi o maior time que minha geração viu jogar. Eu tinha sete anos. Por isso todos os garotos da minha idade que gostavam de futebol tinham pelo menos duas grandes referências: Zico e Sócrates. O Galinho jogava pelo Flamengo e o Doutor pelo Corinthians.

Todo garoto da minha idade que gostava de futebol torcia por esses times por contigüidade, porque assim torciam pelos seus heróis. Por isso vejo com uma certa simpatia nostálgica essa conquista dos títulos estaduais pelo Flamengo e pelo Corinthians. É uma espécie de retomada simbólica do futebol mítico daquela seleção que Pasolini classificou como poesia. Nenhum jogador encarnou melhor essa característica cada vez mais rara no futebol-força atual do que os três Ronaldos falantes do português.

Ronaldo Nazário, particularmente, me chamou a atenção para o futebol novamente quando surgiu no Cruzeiro. Comecei a torcer por contigüidade. Depois acompanhei sua carreira de longe, eventualmente, principalmente no Barcelona e no Real Madrid, com as facilidades das transmissões a cabo. Seu retorno como fênix ressuscitada num time nacional, nas circunstâncias em que ocorreram, dão um caráter épico à sua trajetória. Todos os caras da minha idade que jogaram futebol na infância tem de reconhecer o fato incontestável de que ele é o melhor jogador da nossa geração. Ele é tudo que nós queríamos ser nas nossas peladas de várzea porque conseguiu realizar em ato nosso desejo de jogar com a categoria de Zico e a inteligência de Sócrates.

E digo tudo isso sem deixar de lado minhas convicções e minha condição irrefutável de torcedor incondicional do glorioso Metaluzina! Qualquer hora dessas inclusive, vou disponibilizar aqui o hino que compus em homenagem ao maior orgulho dos pés-de-pomba.

Por hora estou pensando em voltar a bater pênaltis…

Postado em 05/05/2009 Blog!

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Sobre o autor

Makely Ka (Valença do Piauí, 1975) é um poeta cantor, instrumentista, produtor cultural e compositor brasileiro. Makely é poeta, compositor e agitador cultural. Atuando em diversas áreas como a música, a poesia e o vídeo. Incorpora à sua produção artística um componente crítico e reflexivo. Autodidata, desenvolveu uma poética musical própria, amalgamando elementos da trova e do aboio de herança ibérica às novas linguagens sonoras urbanas como o rap, do despojamento da poesia marginal ao rigor formal da poesia concreta.

(10) respostas

  1. Anonymous
    05/05/2009 de 09:52 · Responder

    hum. nada ruim uma boa pelada. nem bolada. tampouco golada.

  2. srta assis
    05/05/2009 de 10:22 · Responder

    Oi Makely!

    Já ouvi você a cantar o hino do metaluzina dentro da sede do jabaquara! (risos)

    Não tenho certeza se foi mais emocionante que provocante!

    Abração meu caro!

  3. marden
    05/05/2009 de 13:17 · Responder

    …É! Eu presenciei esse momento glorioso também, srta assis! Makely (o piauiense mais pé-de-pomba que existe) e o grande Metalusina são dois dos poucos orgulhos que temos!

  4. Renato Villaça
    05/05/2009 de 22:16 · Responder

    que falta do que fazer, heim…

    como comentarista esportivo você é um ótimo poeta.

    mas odeio futebol.

  5. agueda
    05/05/2009 de 22:20 · Responder

    vc num campo!!! rssss
    pensando bem até combina!
    me avisa quero assitir!não deve ser pior que a atuação do atlético mineiro rs…
    e concordo com o revigoramento
    do futebol brasileiro,esse campeonato
    foi caliente!!!e acho q a tendência é só melhorar… e ronaldo!!! só me resta tirar o chapeu!!!
    inté,
    Águeda Couto.

  6. Pedro Paulo
    06/05/2009 de 09:10 · Responder

    Realmente não há o que discutir: Ronaldo é o melhor dos nossos tempos. Vamos ver como será esse Brasileirão… =)

  7. andrea
    07/05/2009 de 21:13 · Responder

    “como comentarista esportivo você é um ótimo poeta” hahaha
    makely, Metaluzina! !!
    eu agora estou virando a casaca e me tornando uma rubro negra!
    e por falar em copa de 82.
    vc precisa ler o livro do joão saldanha, a copa de 82!!
    delicioso para quem viu e viveu aquele futebol!
    bj

  8. Julliano Mendes
    10/05/2009 de 15:46 · Responder

    De fato dou meu depoimento que você tinha as manhas na lateral direita, com dribles desconcertantes mas pouco eficientes. Acho que da única vez que jogamos meu time, dos atores e afins, ganhou do seu time de filósofos, que recorriam à violência conceitual para reprimir nossa ginga brechtiana.
    E, sobre o Ronaldão, eis a utilidade dos gênios. E das epopéias!

  9. makely
    18/05/2009 de 02:32 · Responder

    Srta Assis, na verdade aquela foi a única vez em que ele foi cantado em público!

    Marden meu caro, fico agradecido, mas o Metalusina é muito maior que nós todos e nossas vidas miseráveis.

    Renato, você odeia porque nunca jogou, foi um menino criado com farinha láctea!

    Águeda, estou preparando minha volta, vocês vão ficar sabendo!

    Seja bem-vindo Pedro!

    Valeu a dica Andrea, vou procurar o livro.

    Julliano, você é uma caluniador de baixa categoria, igual ao futebol que vocês do teatro jogam. Nós massacramos o time dos atores com gols metafísicos e cinematográficos!

  10. Douglas
    27/07/2009 de 16:54 · Responder

    Sou primo do Mardem, e gosto de futebol, não sei bem quem é Makely, (se era do meu tempo), mas sei algumas histórias do Metaluzina contadas pelo meu pai, ali sim tem história pra contar e fotos também.Tem história do Metaluzina também no site do Milton Neves, e tenho fotos também do Geraldo Assoviador(geraldo Cleofas).Quando estou no RJ e comento do geraldo para os mais velhos, alguns ,mais fanáticos se recordam com emoção dos tempos daquele grande jogador.
    abraço á minha terra querida.

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