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Contra-Indústria

Vai levar um tempo até as pessoas se acostumarem com o termo Contra Indústria. Ele encerra todo um complexo universo de procedimentos, táticas e técnicas de produção de cultura que vêm sendo colocados em prática nos últimos anos pelos autoprodutores. Até então, nunca os meios de produção estiveram tão acessíveis e nunca se produziu tanto dentro da idéia do “faça-você-mesmo”. Muitos ainda não se deram conta de que estamos diante de um novo paradigma e ainda tentam compreender e explicar os fatos fazendo uso de velhas teorias e fórmulas desgastadas. Realmente, sequer dispomos das ferramentas exatas ou temos o distanciamento necessário para avaliar com clareza e isenção todas as conseqüências desse processo que vem sendo desencadeado. Os mais atentos, contudo, perceberam que seria necessário inclusive uma outra terminologia para dar conta do novo conceito. Este livro foi escrito por quem está dentro do processo e no calor da hora, como um impulso inicial. Muita coisa ainda vai ser dita e feita. Mas uma coisa é certa, a Contra Indústria veio para [modi]ficar!

Este texto eu fiz para a contra-capa do livro escrito por Estrela Leminski e Téo Ruiz lançado ano passado. Eles vão estar em Belo Horizonte no mês de agosto para um show, onde pretendem também lançar o livro, dois discos e participar de um debate sobre o que muitos ainda chamam de música independente e nosotros chamamos de contra-indústria. Em breve darei mais detalhes.

Postado em 18/07/2008 Blog!

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Sobre o autor

Makely Ka (Valença do Piauí, 1975) é um poeta cantor, instrumentista, produtor cultural e compositor brasileiro. Makely é poeta, compositor e agitador cultural. Atuando em diversas áreas como a música, a poesia e o vídeo. Incorpora à sua produção artística um componente crítico e reflexivo. Autodidata, desenvolveu uma poética musical própria, amalgamando elementos da trova e do aboio de herança ibérica às novas linguagens sonoras urbanas como o rap, do despojamento da poesia marginal ao rigor formal da poesia concreta.

(7) respostas

  1. RPA
    18/07/2008 de 10:58 · Responder

    Olá,
    Vim lhe apresentar a mais nova Web Rádio, feita especialmente para o pessoal que curti músicas artísticas culturais.

    Site: http://www.rpawebradio.com.br
    Blog: http://www.rpawebradio.blogspot.com

  2. renato villaça
    19/07/2008 de 18:16 · Responder

    O surgimento de um conceito requer sua análise com cuidado. Um novo nome só pode designar algo já existente, mas talvez a partir de um olhar inédito.

    O termo contra-indústria só terá consistência teórica (E PRÁTICA!) se conseguir ser empregado sendo ao mesmo tempo estudado e praticado.

    Para que o termo CONTRA-INDÚSTRIA não se esvazie e se dilua em seu contrário quando o MÚSICA INDEPENDENTE, seus fundamentos mais básicos devem estar explícitos desde o início. Seus pressupostos teóricos, metodologia escolhida, estratégias e táticas de sobrevivência.

    A hora é esta. Senão, rapidinho o CONTRA já não será mais necessário para designar o objeto.

    Um abraço.

  3. Guilherme Castro
    21/07/2008 de 10:50 · Responder

    É isso aí Villaça. Começando:

    Contra-indústria:

    Conceito: prática de autoprodução artística calcada na produção fonográfica artesanal e na promoção e distribuição musical por meios mais democráticos e espontâneos, como mídia espontânea (matérias e críticas), internet, etc… em prática contrária ao conhecido jabá. O termo diz respeito a uma atitude contrária às praticadas pela industria fonográfica estabelecida.

    Metodologia: esta é diversa. Não há uma metodologia única e sedimentada. Porém, algumas práticas já são bastante comuns: viabilização de um trabalho fonográfico via mecanismos legais e patrocínios (lei de incentivo à cultura e patrocínio direto); controle e autonomia total do processo produtivo; investimento pessoal em conhecimento e cursos de produção executiva, musical e gravação; utilização de softwares livres e ferramentas de internet, como myspace, lastFM, artistdata, etc, para distribuição e divulgação; atuação política mais agressiva em relação, sempre buscando parcerias; Investimento em estratégias e uso de práticas de administração de empresas no gerenciamento da carreira artística;

    Estratégias e táticas de sobrevivência: Também são diversas e ainda não sedimentadas. Aqui vão algumas: profissionalização (ex: investimentos pessoais em cursos, escolha pelo trabalho de bons profissionais para atuação em conjunto, etc); busca constante de parcerias sérias, com abertura para negociações (parcerias com produtores, agentes e agências internacionais, sites, etc); emprego de táticas profissionais e estratégias empresariais para viabilizar efetivamente a autonomia produtiva (ex: determinar seu mercado, procurar seu público, onde sua arte pode ser vendida e/ou divulgada);

    Bem, isto é o que eu, modestamente, consigo me lembrar e mapear. Contribuições são sempre bem vindas. Quem mais se habilita a formatar essa parada?

  4. makely
    22/07/2008 de 02:27 · Responder

    Renato e Guilherme, ótima a contribuição de vocês! Estou escrevendo um artigo e gostaria de convidá-los a colaborar. Meu foco é a não-especialização do profissional da contra-indústria, no sentido de que essa característica subverte um dos princípios básicos da revolução industrial levado às últimas consequências pelo fordismo que é a ultra-especialização e compartimentalização das tarefas. Esse é, a meu ver, um dos fatores que caracterizam a mudança de paradigma e a necessidade de uma nova nomenclatura!

  5. renato villaça
    23/07/2008 de 11:18 · Responder

    Adorei as 2 respostas.
    Esta é uma preocupação que tenho de fato. Se a contra-indústria não estiver sustentada em alicerces que não suportem os princípios básicos do capitalismo, é só um nome a mais. E será rapidamente absorvido por ele. Topo conversar sobre o artigo sim. Acho que a contra-indústria emerge justamente das dificuldades práticas que as estruturas do capitalismo tradicional passam hoje. Talvez pela primeira vez a superestrutura possa conseguir impor algo à infraestrutura. Mas se isso não for muito bem pensado e orientado… essa cooperativa aí acaba virando só mais um sindicato.

    Abraço.

  6. Guilherme Castro
    24/07/2008 de 14:08 · Responder

    Eu também topo a parada do artigo. Sobre a cooperativa, ela pode até ter a força política de um sindicato (se isso for interessante aos seus cooperados) mas a atuação dela é bem mais diversa, livre e ampla do que a de um sindicato. Por isso estou botando fé. Eu acho que a cooperativa pode ser um meio de praticar as idéias de produção contra-indústrial, com força, efetividade, diversidade e coletividade.

  7. Zepjor Volaia
    05/08/2008 de 14:08 · Responder

    Em primeiro lugar, parabéns pelo blog.
    Em segundo, pela indicação de livro (onde posso comprá-lo? Aqui em Recife estamos começando a organizar um movimento com base no cooperativismo, na colaboração voluntária e na auto-gestão artística. Isso muito nos interessa.)
    Em terceiro, gostaria de te mandar um EP da banda que faço parte. A gente adora presentear pessoas que acreditamos ter pensamentos que rimam com os nossos. Se houver interesse em recebê-lo, me manda um e-mail com o endereço pra raphael.pinteiro@gmail.com.

    Ah, e se quiser já dar uma conhecida no trabalho, entra no http://www.myspace.com/sitionuda

    Abração e parabéns!

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