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Músicos mineiros criam cooperativa

Jornal O Tempo

Mobilização. Batizada Comum (Cooperativa da Música de Minas), entidade realiza assembléia hoje

Ricardo Antunes/Divulgação

Na foto: Ludmila Ribeiro, Makely Ka, Tatiana Dias, Maurício Ribeiro, Guilherme Castro, Lailah Aburachid e Luiza Barcelos

Daniel Barbosa

Comum, mas peculiar. O aparente paradoxo serve bem como cartão de visitas para a Cooperativa da Música de Minas (Comum), entidade que começou a ser formatada em dezembro do ano passado e que, com uma assembléia que será realizada hoje à noite, na sala Juvenal Dias, do Palácio das Artes, se apresenta oficialmente à sociedade. O cantor e compositor Makely Ka, um dos principais articuladores e primeiro presidente da cooperativa, diz que ela foi constituída a partir de uma conjunção de fatores e que se destina, principalmente, a dar suporte aos músicos do Estado, procurando tirar o ofício da informalidade.

“Essa é uma questão fundamental pra gente. Nós trabalhamos na informalidade, ninguém aqui é pessoa jurídica, então, quando precisa de uma nota fiscal, por exemplo, temos que correr atrás de um atravessador e pagar por isso, o que não é legal. Através de uma cooperativa legalmente constituída, a gente pode passar nota fiscal para os trabalhos que os cooperados venham a desenvolver. Isso é uma questão pragmática, mas tem o viés da aglutinação, que resulta em uma representatividade política maior”, aponta.

Ele ressalta que a capacidade de aglutinação, aliás, foi o que fomentou o surgimento da Comum. “Essa história vem de um movimento recente de organização da classe musical. Começou a cair a ficha – ou o crédito – de que com essa configuração atual do mercado, sozinho ninguém ia chegar muito longe”, diz, acrescentando que um dos pontos de partida foi a criação das câmaras setoriais do Ministério da Cultura, que possibilitou um contato mais direto entre artistas do país inteiro que, até então, partilhavam da mesma situação, mas não se comunicavam.

Com efeito, o poder da mobilização já começa a mostrar seus resultados. Ao longo dos últimos seis meses – período em que vem se articulando – a Comum já estabeleceu uma importante parceria com o Sebrae, cujo primeiro fruto será uma rodada de negócios em Belo Horizonte, prevista para agosto. “Dez compradores de música do mercado internacional virão à cidade para conhecer o que está sendo feito aqui. Eles vão passar por quatro Estados e Minas é um deles, porque conseguimos mostrar que temos uma cena forte e organizada”, destaca Makely. Ele aponta que o principal modelo para a criação da Comum foi o da Cooperativa de Música de São Paulo.

“Eles nos deram todo o suporte técnico para criarmos a nossa”, diz, ressalvando que a entidade mineira tem, contudo, um perfil muito próprio. “Desde que cheguei a Belo Horizonte, ouço essa conversa de que a gente tem que fazer como na Bahia ou como não sei aonde. Acho isso uma bobagem. A gente tem que descobrir como fazer do nosso jeito. Tem várias idéias nas quais a gente pode se inspirar, várias experiências que podem ser observadas.

Podemos tirar algo legal de cada uma, a estratégia de exportação de Pernambuco, a coisa da autogestão em Mato Grosso ou mesmo o investimento em autopromoção que se vê na Bahia”, diz. Entre as proposições da Comum, está, por exemplo, o banco de serviços, inspirado em conceitos como a economia criativa e as redes solidárias, e que objetiva a auto-sustentabilidade. “É a história da troca de serviços, o que a gente já faz informalmente”, aponta, ressaltando a impressionante e portentosa produção da atual cena musical mineira.

Agenda

o que: Assembléia da Cooperativa da Música de Minas

quando: Hoje, às 19h onde: Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro)

quanto: Entrada franca

Postado em 30/06/2008 Blog!

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Sobre o autor

Makely Ka (Valença do Piauí, 1975) é um poeta cantor, instrumentista, produtor cultural e compositor brasileiro. Makely é poeta, compositor e agitador cultural. Atuando em diversas áreas como a música, a poesia e o vídeo. Incorpora à sua produção artística um componente crítico e reflexivo. Autodidata, desenvolveu uma poética musical própria, amalgamando elementos da trova e do aboio de herança ibérica às novas linguagens sonoras urbanas como o rap, do despojamento da poesia marginal ao rigor formal da poesia concreta.

(2) respostas

  1. marden
    30/06/2008 de 16:31 · Responder

    eu voto no makely pra presidente do brasil!

  2. Anderson Ribeiro
    02/07/2008 de 20:58 · Responder

    Divulguei no meu blog – http://www.artorpedo.zip.net (mesmo não sendo de Minas. hehehehe). Pois acho a idéia bastante interessante e, quem sabe, não se espalha pelos quatro cantos e a cena musical brasileira não mude ou apareça pra todos? um abraço.

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